domingo, 12 de fevereiro de 2012

Nossa língua em “xeque”

Por Thaís Barreto

Um capricho de letrados sustentado por um documento cheio de contradições. É assim que alguns críticos definem o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. O professor Pasquale Cipro Neto chegou a assinar um artigo para a Folha de S. Paulo (Diário da reforma ortográfica – 16/4/2009) grifando que se tratava de uma petição contra o referido acordo. Eis que chegou a reforma ortográfica, e agora, o que faremos “nós mortais?”.

O fato é: o acordo é lei. Os oito países cujo idioma oficial é o português têm até 2012 para adaptação da escrita com a nova norma. Para o jornalista e escritor Hélio Pólvora, “o jeito é engolir o que uns poucos prescrevem e a maioria aceita docilmente”. Ele declara que “trata-se de um aborrecimento, um dispêndio inútil de dinheiro”.

Isto se comprova, pois já estamos na 5ª edição do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (Volp). Pasquale chegou a recomendar, no programa Nossa Língua Portuguesa (TV Cultura), que as pessoas não comprassem nenhum livro para não perderem o dinheiro. Isto nesse contexto de incertezas.

A estudante de jornalismo Iranildes Costa, alega que mudanças como estas deveriam ser amplamente discutidas com a sociedade antes de entrarem em vigor. Ao tempo em que declara: já é uma tradição no Brasil que as mudanças sejam sempre impostas, de cima para baixo.

Iranildes aponta como positivo o fato de chamar atenção das pessoas para detalhes como o hífen e a acentuação gráfica. “Francamente, a maioria desconhecia a forma correta antes da reforma”. Ela ressalta que “a língua é feita pelos falantes, não adianta impor normas sem dar ao povo a oportunidade de conhecê-las”.

Toda essa polêmica, e no Brasil a alteração da grafia é de apenas 0,5%, nos demais países pode chegar até mais de 1%. A mídia tem demonstrado a fragilidade da própria Academia Brasileira de Letras com a situação do Volp. No caderno de Cultura do Jornal Zero Hora (16/05/2009), Cláudio Moreno, doutor em Letras e professor da Estácio de Sá (Rio), critica: “A Academia literalmente nos atropelou com a publicação do seu vocabulário ortográfico”.

Não bastasse tudo isso, circula na internet a “Petição Manifesto em Defesa da Língua Portuguesa”. É um abaixo assinado eletrônico com o objetivo de reunir 200 mil assinaturas. É liderado pelo deputado português Vasco Graça Moura. Ele aponta que o acordo serve a “interesses geopolíticos” e empresariais brasileiros.

Além de unificar a língua portuguesa, outro objetivo do Acordo é o intercâmbio cultural. Segundo Hélio, isto acontece mais no papel, nos discursos, que na realidade. Ele pondera “Outrora, Camilo Castelo Branco e Eça de Queiroz eram mais lidos e admirados no Brasil do que em Portugal. Acho que o mesmo aconteceu com Fernando Pessoa e acontece com José Saramago”.

Hélio Pólvora aponta como positivo a inserção das letras k, w e y, que por sinal jamais desapareceram do dia a dia. O Acordo contempla os países: Brasil, Portugal, Cabo Verde, S. Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Timor Leste e Macau

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